Contos que eu conto...
Ricardo De Benedictis
Hospitais mortais
Se existe algo que devemos cuidar bem
é da nossa saúde. Importante, entretanto salientar que, quando estamos
hospitalizados, sob cuidados de médicos e auxiliares de enfermagem (raramente
um enfermeiro formado vem visitar o paciente), aí sim, residem perigos que podem
trazer conseqüências fatais.
Passo a narrar alguns fatos que
ocorreram comigo.
Certa feita, fiz uma cirurgia em
hospital que prefiro não indicar e tudo correu às mil maravilhas. Bem tratado,
fui transferido para um quarto, sem acompanhante, e de tempo em tempo uma
enfermeira vinha trocar o soro. A bem da verdade, sentia-me bem, depois de ter
passado por quase três horas de cirurgia, entre as 14 e 17 horas.
À noite, já havia tomado cerca de
meia dúzia de frascos de soro e passei a sentir um certo mal-estar no abdome.
Quando a enfermeira veio trocar o soro, aproveitei para informar o que estava
sentindo e ela, com certa ‘autoridade’ respondeu:
- É assim mesmo; isso é da
cirurgia...
Tentei argumentar em vão que estava
sem urinar desde a cirurgia e que já havia tomado muito soro, mas ela foi
implacável:
- Amanhã o Sr. urina, viu?
Então eu me irritei e disse-lhe: -
Olha aqui... ou a senhora chama o médico ou não vai trocar o soro.
Ela saiu do quarto e minutos depois
voltou com uma senhora que acredito ser enfermeira que tentou me acalmar,
dizendo que o médico viria me visitar. Aí eu tive a ideia de pedir para chamar
minha mulher, alegando que eu gostaria de recomendar-lhe algo. Isto foi feito e em 15
minutos ela chegou e eu estava contando o ocorrido quando o médico entrou
no quarto demonstrando certa preocupação. Perguntou-me o que estava sentindo e após meu relato, ordenou à enfermeira para que trouxesse uma sonda que, colocada devidamente por ele,
fez esguichar mais de dois litros de urina, aliviando-me do mal-estar que me
afligia há quase uma hora...
Escapei, então de ter uma perfuração
de bexiga que poderia ter sido fatal...

