O LEÃO E A RAPOSA
Jeremias Macário
Muita gente deve saber, ou se lembrar da fábula do Leão e a Raposa. Para quem já sabe, não custa nada citar a estória nesta véspera das eleições municipais para prefeito e vereadores. Já passou da hora do eleitor ser a raposa e dar o troco no astuto leão, que se fazia de “velho doente” para comer os animais da floresta.
  Conforme conta a fábula, com a idade já avançada, o leão se sentiu cansado de tanto caçar, mas precisava continuar sobrevivendo. Desde então, começou a pensar numa forma de se alimentar, sem muito esforço. Suas pernas e garras já não tinham a mesma potência de antes para atacar suas presas.
   Num belo dia, resolveu entrar numa caverna e se deitar, fingindo-se de “doente”. Sabendo do estado “crítico” do leão, os animais da floresta resolveram visita-lo, para prestar suas solidariedades. O bicho entrava na caverna e indagava: e aí, seu leão, o que é que o senhor tem?
  - Estou muito doente, meu amigo; não posso mais andar; e não tenho mais domínio do meu corpo. Com pena do leão, os animais iam entrando e ouviam o mesmo papo ardiloso do leão. Sempre aquela mesma conversa, aquela mesma enrolação e blablabá.
   A notícia se espalhou por todo território até chegar aos ouvidos da raposa. Curiosa, ela decidiu visitar o leão que se fazia de “velho doente”. Chegando na caverna, a raposa foi logo saudando o leão e fez a mesma pergunta dos seus companheiros. No entanto, cismada como é, manteve-se numa certa distância do leão. Não era recomendável. Tinha que se certificar da situação.
   O leão respondeu a mesma coisa, de que se encontrava “inválido e doente”. De longe, a raposa olhou bem; sondou o ambiente; e observou que os rastros dos animais no chão só tinham marcas de ida. Concluiu que o leão comia todos os bichos que se aproximavam dele.
   - Quer dizer, seu leão que o senhor se fingiu de fraco e armou toda essa arapuca para comer, com mais facilidade, os animais – disse a raposa, que deu meia volta e espalhou para todos os bichos o esquema do feroz leão, evitando que outros caíssem na mesma armadilha.
   Pois é, gente, existem muitos políticos por aí se passando pelo leão “doente”, só para almoçar e jantar os outros. Está mais que na hora do eleitor ficar atento como a raposa e não cair nesse “papo” do leão. Cuidado para não virar refeição do político que se faz de leão!
   A campanha eleitoral no rádio e na televisão, nas ruas, comícios, cartazes e no campo foi a mesmice de sempre. O que ouvimos, principalmente dos candidatos a vereador, foi a repetição dos discursos, sem nenhum nexo. Cooptação de poder continua sendo chamada de base aliada. Os marqueteiros não criaram nada de novo. As imagens montadas, na sua grande maioria, são apenas fantasiosas, enganosas e mentirosas.
   Ia falar de outro assunto nesta semana, mas me lembrei da fábula do leão e da raposa, que cai bem na comparação entre o político e o eleitor. Tem muito político no lugar do leão. Para não ser “comido” seja a raposa que descobriu que os rastros dos animais não tinham retorno.